Marchezan propõe lei de incentivo a saúde

O deputado estadual Nelson Marchezan Júnior (PSDB) protocolou na última segunda-feira (16), um projeto de lei de incentivo à saúde no Estado. O projeto foi apresentado aos prefeitos durante palestra do parlamentar na 1ª Marcha Gaúcha dos gestores municipais, que ocorreu no Auditório Dante Barone, na Assembleia Legislativa.

Assim como ocorre na Lei de Incentivo à Cultura e na Lei da Solidariedade, ao invés de pagar o ICMS, as empresas poderão compensar 100% do valor investido em projetos focados em saúde básica e atendimento especializado. A proposta de Marchezan vai dar mais liberdade aos municípios para definir a utilização dos recursos. Adequados à cada realidade, os projetos serão aprovados e fiscalizados pelas Secretarias Municipais de Saúde, pelos Conselhos Municipais de Saúde e pelo Colegiado de Gestão Regional (COGERE).

Para Marchezan quem ganha com o projeto é a população, que poderá ver mais rapidamente estes recursos serem investidos na saúde local. A proposta do deputado vai possibilitar aos municípios trabalhar de forma criativa, com mais fiscalização, fortalecendo a saúde no Estado.

Prioridades invertidas

Marchezan foi o debatedor no painel que tratou sobre Receitas Públicas

O deputado estadual Nelson Marchezan Júnior (PSDB) falou aos prefeitos nesta segunda-feira (16) na 1ª Marcha Gaúcha de gestores municipais sobre o aumento de despesas no Estado.

Marchezan comentou que a Assembleia já aprovou nos últimos três anos mais de R$ 380 milhões em reajustes de salários para desembargadores, juízes, promotores, conselheiros do Tribunal de Contas, servidores do Poder Judiciário, Ministério Público e Assembleia Legislativa, além de defensores públicos e delegados de polícia. Este valor é maior que o total de investimentos previstos para o DAER em 2010, que é de R$ 365 milhões.

Outro ponto abordado por Marchezan foram os rendimentos financeiros dos depósitos judiciais, para investimentosatualmente repassados integralmente ao judiciário, num montante previsto de cerca de R$ 90 milhões para 2009. Valor este que poderia ser investido na construção de cinco novas penitenciárias por ano ou na construção de novos postos de saúde em todos os municípios do Estado. A criação do Piso Estadual de Atenção Básica (PAB), por exemplo, que é reivindicada pela Famurs, equivaleria a um repasse de R$ 1,00 por habitante/mês, ou seja, cerca de R$ 120 milhões seguindo o atual formato apresentado pela associação.

Para Marchezan, aumentar despesas para quem já tem os mais altos salários é um erro. “É prioridade mais um fórum ou uma sede para o Ministério Público em cada município? Ou será que é necessário mais recursos para investimentos nos presídios ou na saúde? Esse é o ponto que precisa ser discutido”.

Fantasmas do Passado – Capítulo 15

Os primeiros raios de sol já apontam no horizonte quanto Heitor chega ao Morro da Cruzeiro. Mathias está à sua espera, junto com toda a equipe da polícia. O esquadrão comandado por Petrucci se posicionou em diversos pontos da favela. Ninguém entra. Ninguém sai. A esta altura, descobrir a localização do esconderijo de Chiclete era uma questão de tempo.

- Só estávamos te esperando para começar a varredura. – comentou Mathias.

- Valeu. Mas agora vamos pegar esse safado! – respondeu Heitor.

As ruas estreitas e esburacadas do Morro da Cruzeiro são um prato cheio para os traficantes. De qualquer ponto era possível disparar um projétil que atingisse os policiais. Mas isto não ocorreu. A manhã já pairava no ar e, a esta altura, o tráfico descansava. Sem contar que não era atrás deles que a polícia estava. Mas sim de Chiclete. E a notícia da caçada já havia se espalhado pela favela.

Anisha para seu Meriva prateado na entrada da favela perto das seis da manhã. A esta altura, Heitor já está com Mathias impregnado nas entranhas do Morro da Cruzeiro.

O carro de Heitor passa em frente ao Mercado do Alemão. O detetive está tão obcecado em encontrar o esconderijo do pistoleiro que nem percebe que Renata vem descendo o Morro. Um pouquinho mais de atenção e Heitor a teria pego. O detetive sabia que ela era prima de Mixirica. E a sua presença no Morro da Cruzeiro certamente era indício de que estaria perto de encontrar Chiclete.

Pouco depois Heitor passa por um casebre abandonado. Para o carro em frente e observa. As luzes estão apagadas. A grama alta e os móveis atirados à rua dão a impressão de que ninguém vai lá há séculos. A antiga boca de fumo era o último lugar onde a polícia iria procurar. Mas, um detalhe chamou a atenção de Heitor.

- Tá vendo ali Mathias? Marcas de carro.

- O casebre está abandonado há meses. Vamos procurar num outro lugar. O Chiclete deve estar num lugar bem protegido. Isso aí não serve nem pra cativeiro.

- Vai tu então. Eu vou descer e checar este muquifo.

- Tá bom. Tá bom. Vou contigo. – resignou-se Mathias.

Heitor estaciona o carro poucos metros adiante. Os policiais se preparavam para descer quando notam algo estranho. Um opala verde metálico estaciona em frente ao casebre. A película nos vidros esconde quem está no carro. Só é possível ouvir a barulheira. O rap fica mais alto quando as portas se abrem. Uma fumaça inebriante sai de dentro do veículo. A causa, Heitor e Mathias descobrem instantes depois, quando quatro pessoas saem pelas portas recém abertas. Duas delas fumavam um grande empalhado de maconha.

Os policiais notam uma presença familiar entre os elementos que agora já se preparam para entrar no casebre. Um homem magro, com cerca de 1,80 m. Correntes no pescoço, calça larga, uma camisa do Chicago Bulls e um boné virado para trás. Um tipo inconfundível.

- Aquele ali não é o Paraíba? – perguntou Mathias.

- É sim. Não tem como confundir o pilantra. – respondeu um intrigado Heitor.

- Tem coisa aí meu. Que diabos o Paraíba tá fazendo aqui esta hora?

- Não sei. Mas é o que vamos descobrir. E agora!

- Calma Heitor. Vamos esperar um pouco pra ver se tem alguém na casa.

- Ok.

Heitor e Mathis descem do carro e se escondem atrás de um muro que circunda o casebre. De lá, conseguem observar sem serem notados.

- Parece que tem alguém lá dentro. Uma luz se acendeu. – observou Mathias.

- Interessante… Chama reforço.

- Heitor, tu acha que é o Chiclete?

- Creio que sim.

Mathias pega seu celular e liga para Petrucci. Informa a localização dos dois e manda o esquadrão se dirigir ao local assinalado.

- O esquadrão chega em 20 minutos.

- Porque eu tenho a sensação de que não temos 20 minutos. – respondeu Heitor.

A poucos metros dali, Mixirica escuta o som vindo da rua. A presença de Paraíba e seus capangas agora já não é mais novidade para os ocupantes do casebre.

- Tá ouvindo o baguio? Parece que vem gente aí Chiclete.

- Pega o cano Mixirica. Deve de ser os comédia.

- Vo dar uma olhada.

Mixirica pega a pistola e vai até a porta do casebre. Pelo buraco de bala que havia na porta, o meliante avista seus comparsas de crime vindo em direção ao casebre.

- Tá tranquilo Chiclete. É o Paraíba. Tens uns truta com ele.

- Firmô.

Mixirica abre a porta do casebre para o esperado encontro de Paraíba e Chiclete. O chefe do tráfico e seus três capangas entram sem demora.

- Fala Paraíba. Firmeza?

- É nóis! Cadê o Chiclete? Eu quero ver a minha grana. Os comédia já cercaram a favela. O Morro tá um caos. E eu to bolado com isso. Tu sabe o que eu faço quando to de mau humor, né não Mixirica?

- Calma mêrmão. Vo chamar o Chiclete.

Chiclete sai do banheiro com uma cara de marra. Encara Paraíba com o desprezo que damos ao nosso pior inimigo. Sem perder muito tempo, ele saca a arma e começa a falar:

- A parada é a seguinte mêrmão. To precisando sumir por uns tempos. Dois milhões dá pra tu me ajudar?

- Cadê a grana? – respondeu Paraíba.

- Quando eu tive num lugar seguro te lanço as verdinhas.

- Tu acha que eu sô otário mêrmão? Não sô mané que nem teu amigo ali. Se tu quiser posso te mandar pra um lugar que nunca mais te acham.

Paraíba coloca sua pistola na cara de Chiclete. O pistoleiro continua a encarar o traficante. Por alguns segundos os dois trocam olhares de morte. Chiclete se afasta e responde:

- Te dou metade agora e o resto quando eu estiver seguro.

- Ok.

Chiclete vai até o banheiro e pega o dinheiro. Traz um milhão de reais e entrega à Paraíba.

- Isto aqui dá pra tu me tirar da favela?

- Agora tu falou a minha língua sangue bão.

Liberado recurso para aquisição do aparelho de ressonância magnética de Alegrete

O deputado estadual Nelson Marchezan Júnior (PSDB) participou, nesta quarta-feira (4), na Secretaria Estadual da Saúde, do ato de assinatura do termo de compromisso para a liberação de recursos para a compra do aparelho de ressonância magnética de Alegrete, beneficiando toda a região da Fronteira Oeste. Os R$ 300 mil serão creditados na conta da prefeitura.

O valor suplementado por solicitação do vereador Celeni Viana, com o apoio dos demais vereadores de Alegrete, vão se somar aos R$ 1 milhão já creditados na conta do município, para a compra do aparelho de ressonância para o Hospital Santa Casa de Caridade.

Celeni lembra que a mobilização da região foi determinante para a assinatura do termo de compromisso. “A união dos setores da educação e segurança, que abriram mão de investimentos, priorizando na Consulta Popular os recursos para a ressonância magnética foi fundamental para a liberação do recurso”.

Participaram da assinatura do convênio o secretário estadual da Saúde, Osmar Terra, o prefeito de Alegrete, Erasmo Guterres Silva (PMDB), o vereador Celeni Viana (PSDB), a secretária estadual da Saúde, Arita Bergman e a diretora de Relações Institucionais da Secretaria de Desenvolvimento Social, Nadine Dubal.

Atualmente, há uma demanda reprimida de cerca de 500 exames apenas em Alegrete. O aparelho de ressonância magnética, que recebeu 17.794 votos na Consulta Popular 2007/2008, sendo 6.884 em Alegrete, vai beneficiar 13 municípios da Fronteira Oeste e uma população superior a 560 mil pessoas. Marchezan lembra que a luta pela conquista deste aparelho vem desde 2005, quando a mobilização de lideranças do município foi fundamental para a conquista do aparelho.

Pela manhã, Marchezan recebeu em seu gabinete o presidente da Câmara Municipal de Alegrete, Sandro Barua (PP), a vereadora Nívia Souza (PMDB), tratando sobre o mesmo tema e o vereador Celeni Viana (PSDB).

Fantasmas do Passado – Capítulo 14

- Fala Eberson. Firmeza?

- Tranquilo sangue bão. Que mandas?

- To precisando de um favor teu. Preciso falar com o teu chefe.

- O Paraíba proibiu de passar o número dele. Sabe como é mêrmão. Os comédia tão na cola.

- Fica sussê. É importante. Se não nem te pedia. Tenho um negócio bom pra ele.

- Diz aí que eu passo a letra.

- Não rola. Muita truta nesse lance. Tem que ser direto com ele.

- Sei não. Acho que o Paraíba não vai gostar.

- Qué isso Eberson. So teu faixa. Quanto que eu te coloquei em roubada? É quente o baguio.

- Tá bom. Tá bom.

Eberson finalmente concorda com Mixirica e passa o número de Paraíba. Ele nem imagina o simples telefonema para Paraíba esconde, na verdade, um propósito sombrio. A tocaia arquitetada por Chiclete começava a ser posta em prática. Se daria certo, só com o desenrolar dos acontecimentos para saber. Após desligar o celular, Mixirica comenta:

- Tudo certo Chiclete. Agora é só esperar.

- Beleza. Traz mais um pó pra mim.

- É nóis!

Chiclete e Mixirica desfrutam do resto de tempo que ainda lhe resta antes que a polícia cerque o casebre em que se escondem. A espera é regada a cerveja e ao tilintar da cocaína que teima em queimar suas narinas. Os dois estão tão inebriados que nem percebem Renata deixar o casebre. Somente um tempo depois, entre um gole de cerveja e uma cheirada do pó que Chiclete percebe algo incomum:

- Está tudo muito quieto.

- Deve ser do pó Chiclete. A gente já tá nas nuvens.

- Não viaja. Tá quieto demais. Acho que os comédia já estão por perto.

- Vou ligar pro Paraíba então.

- Demorô!

Mixirica pega o celular e disca o número do traficante para combinar o negócio.

- Alô!

- Fala chefia. É o Mixirica.

- Que tu quer a uma hora destas?

- Seguinte: to com um negócio pra ti.

- Sei…

- Sério mêrmão. Que ganhar uma grana fácil?

- Desembucha.

- Tem um camarada meu, o Chiclete, que precisa de proteção. Ta disposto a te pagar uma bufunfa.

- E qual é a jogada?

- Não tem jogada mêrmão. É só tu não deixa a polícia prender ele.

- Sei não. Esse Chiclete pode me colocar em roubada. Melhor deixa os comédia acaba com ele.

- Vai rasga dinheiro Paraíba? Dois milhões de reais, cara. Onde tu vai arrumar tanta grana numa noite?

- Sei não…

- Deixa de onda. Tem que ser rápido. Os comédia já deve de tá subindo o morro.

- Beleza então. Eu quero receber em dinheiro. E na hora.

- Combinado.

- Em vinte minutos chego aí.

Mixirica desliga o celular e confirma com Chiclete o segundo passo do plano. Agora, era só uma questão de tempo até que Heitor, Chiclete e Paraíba estivessem frente a frente. E no final, somente um iria sobreviver. Pelo menos este era o plano de Chiclete.

Quem tem mais a perder no Gre-Nal?

O Campeonato Brasileiro está entrando na reta final. Faltam apenas oito jogos para o fim do certame. O Gre-Nal de número 378, combinado com a derrota do Palmeiras para o Santo Antré, ganhou ares maiores do que a tradição já reserva. Mais que os três pontos, estão em disputa quem seguirá vivo na competição. Sem contar a célebre frase de Ibsen Pinheiro, que profetizou: “Gre-Nal arruma a casa”.

Mas quem chega melhor para o clássico? O Grêmio, em oitavo lugar, que ganhou do Coritiba em casa. Ou o Inter, em terceiro, que empatou com o lanterna Fluminense no Maracanã? Suposições a parte, o colorado é quem mais tem a perder neste domingo.

Se vencer ficará a dois pontos do líder Palmeiras, entrando de vez na briga pelo título. Vencendo, não fará mais que a sua obrigação. Afinal, joga contra o time mais ‘copeiro’ do Brasileiro. O tricolor só venceu o Náutico fora dos seus domínios. E, cá pra nós, o estádio dos Aflitos é a segunda casa do tricolor. É lá que a sua torcida se vangloria da maior conquista: o título da Segundona. Cada clube com suas convicções.

Já o Grêmio vai para o clássico tranquilo. Não vai contar com três de seus principais jogadores: Tcheco, Maxi López (suspensos) e Jonas (machucado). A vitória coloca o tricolor novamente entre os postulantes ao título. Mas se perder, pode se contentar com a vaga à desprezada Copa Sul-Americana.

Do lado do Inter, o técnico Mário Sérgio preparou um leque de mistérios para esquentar ainda mais o clima Gre-Nal. As dúvidas na equipe são muitas. Se vai no 3-5-2 ou no 4-4-2? Se D’Alessandro e Andrezinho estarão em campo desde o início? Mas a grande expectativa é sobre Giuliano. O jogador retornou esta semana da seleção Sub-20 e pode ser o grande trunfo colorado. A questão é: onde vai jogar Giuliano? De volante, de meia ou de ala? Só o que se sabe é que ele estará em campo. E com ele, a esperança colorada em encontrar novamente a fórmula do time que chamou a atenção do Brasil no início da temporada. Façam suas apostas e que vença o melhor. Desde que o melhor seja o Inter, claro.

Faltou sorte

Já fazia alguns anos que eu não sentava em frente à televisão na tarde de domingo para assistir a uma corrida de Fórmula 1. Creio que eu faça parte da geração que cresceu acompanhando as vitórias de Ayrton Senna e se frustrou com sua morte em 1993. O povo brasileiro perdeu a vontade de assistir a um grande prêmio. Esquecemos que ainda tínhamos um brasileiro competindo. Ele, Rubens Barrichello.

Rubinho carregou nas costas a responsabilidade de substituir Senna. A eterna comparação acabou rendendo o carinhoso apelido de Rubinho Pé de Chinelo, pois nunca ganhava nada. Faltava carro, é verdade. E na única vez em que teve um competitivo, foi prejudicado pelo jogo de equipe, em benefício do Schumacher. Mas e daí? O brasileiro não quer nem saber disso. Queremos um novo Senna. Assim como procuramos a todo instante um novo Pelé.

Ah! Mas alguém pode falar: E o Felipe Massa? Ele é um grande piloto. Foi vice campeão. Correu com o Schumacher. Ele não é digno do nosso respeito? Concordo. Mas é como no futebol: ao longo da história existiram milhares de craques. Mas nenhum deles é igual ao Pelé. E nunca haverá outro. Era uma outra época onde a magia ultrapassava as quatro linhas. O futebol, assim como a Fórmula 1 perdeu um pouco deste encanto.

E Rubinho fez parte desta época. Mas eis que aos 37 anos, ressurgiu para a Fórmula 1. Praticamente aposentado no início do ano, o piloto encarou o desafio de competir pela estreante Brawn e fez bonito. Teve um péssimo começo de temporada. Seu companheiro de equipe, Jenson Button venceu as seis primeiras corridas e disparou. Mas Rubinho não se abateu, foi conquistando pontos e chegou ao GP do Brasil com boas chances de ser campeão.

Rubinho nunca venceu em Interlagos. Em 17 anos disputando a prova, terminou apenas cinco vezes. Além de superar Button, o brasileiro precisava quebrar seu próprio tabú. A pole conquistada no sábado era o indício de que desta vez seria diferente. Estava tudo perfeito. Rubinho em primeiro e Button em 14º. A esperança dos brasileiros ressurge.

Mas a corrida começa e com ela a indigesta tarefa de se manter na frente. Rubinho faz um belo início de prova. Mantém-se na ponta e abre certa vantagem para Webber. É na primeira parada nos boxes que a corrida começa a mudar. A esperança vira desespero. O novo jogo de pneus não tem o rendimento esperado. Rubinho perde velocidade e vê seu sonho de vencer em Interlagos ir por água abaixo. Rubinho antecipa a segunda parada, tentando recuperar o tempo perdido. Para piorar as coisas o pneu fura e o brasileiro é obrigado a fazer uma terceira parada. É o fim do sonho. Rubinho termina em oitavo e Jason Button é campeão mundial de Fórmula 1.

Passada a frustração inicial, fica a pergunta? O que diferencia o grande do mediano? Rubinho é um ótimo corredor. Fez tudo o que dependia dele. Fez a pole. Largou na ponta e… perdeu. Faltou competência? Claro que não. Faltou o que ele nunca teve ao longo da carreira: sorte.

Sobre legislação e jornalismo

O jornalismo como vemos hoje teve o pontapé de partida com a invenção dos tipos móveis por Gutenberg, em 1455. De lá pra cá, a fixação do conhecimento evoluiu assustadoramente. Primeiro foram os folhetins, depois os jornais de poste. Posteriormente os jornais de grande circulação. A evolução tecnológica trouxe o advento do rádio, muito bem compreendido pelos nazistas. Hitler foi o precursor no uso da comunicação de massa. Fez do rádio seu meio de propagação de ideias. A televisão veio na sequência para ampliar o leque de possibilidades.

É no final da década de 1980 que a mídia começa a ultrapassar barreiras. Com o surgimento de novas tecnologias digitais, uma notícia que levava dias, semanas ou meses para percorrer o mundo, começa a ser repassada em menos tempo. A internet vem de encontro com esta revolução. Nos últimos 20 anos, o jornalismo passou a ocupar um espaço nunca antes imaginado. Está em todo o lugar e acessível a todas as pessoas. A desterritorialização do conhecimento é tal que, hoje, qualquer pessoa pode produzir conteúdo e colocar na web.

No meio deste emaranhado de informações, questões éticas e legais são impreteríveis. A legislação tem um papel fundamental para o desenvolvimento do jornalismo. É através dela que o profissional se guia para elaborar suas pautas e satisfazer os desejos das pessoas e da sociedade. O código de ética do jornalismo tem papel fundamental neste ponto. Nele estão as diretrizes que o jornalista deve seguir, como objetividade, clareza e liberdade de expressão. Nas suas páginas constam questões como buscar a informação de forma precisa e correta, pensar no interesse social e coletivo, suas obrigações sociais, combate às formas de corrupção, manifestações de opiniões diferentes. O jornalista deve sempre buscar a verdade.

Mas o que é verdade ou não em jornalismo? Antes, é preciso saber o que é ou não notícia. Em síntese, a notícia é o fato com maior capacidade de repercussão na sociedade. Mas é preciso que o jornalista tenha cuidado ao selecionar o que deve ou não ser publicado, procurando evitar o sensacionalismo. A história brasileira é cheia de casos onde os jornalistas, mais preocupados em “dar o furo” do que checar as informações, causou verdadeiras convulsões na vida das pessoas envolvidas.

Neste ponto, a busca incessante pela velocidade que o jornalismo proporciona cada vez mais, faz com que o jornalista não cumpra suas atribuições e deixe de checar as fontes e os dados como deveria. Tal descuido acaba gerando grandes transtornos, como divulgação de fatos que depois não se confirmam. Um exemplo é o caso da Escola de Base, em São Paulo, onde os professores foram julgados e condenados pela mídia, antes que o processo terminasse. A prova de sua inocência não evitou que fossem execrados pela mídia. Ou mesmo no episódio onde o deputado federal Ibsen Pinheiro (PMDB) foi acusado pela revista Veja de ter embolsado US$ 1 milhão de origem suspeita. Ibsen, que poderia ter sido presidente do país, acabou cassado por corrupção e levou anos para voltar à vida pública.

Um exemplo mais recente é o caso do sequestro da jovem Eloá Pimentel, que teve ampla cobertura da mídia. Qual o papel do jornalista no episódio? A ética profissional foi respeitada? Até que ponto o sensacionalismo causado pela imprensa influenciou no desenrolar das negociações? A interferência ocorreu de tal maneira que vimos pela televisão Lindemberg Alves negociar a soltura da ex-namorada no programa Mais Você, da rede Globo. A apresentadora Ana Maria Braga fazia o papel de negociador, quando, na verdade, era a polícia quem deveria realizar tal procedimento. A exacerbação do fato tornou o episódio um acontecimento nacional, com ampla cobertura da mídia.

É esse o papel do jornalista? O Código de Ética do jornalismo diz que é dever do profissional de comunicação não colocar em risco a integridade das fontes e dos profissionais com que trabalha. É isto o que a sociedade espera de seus jornalistas. Que eles satisfaçam suas necessidades de informação e que exerçam a profissão de forma ética e responsável, sempre atento ao que manda a legislação.

Fantasmas do Passado – Capítulo 13

- Alô!

- Onde é que tu tá Heitor? Já passam das cinco. Era pra tu estar aqui as quatro. AS QUATRO! – esbravejou o chefe Mathias.

- Tive um contratempo. Já estou chegando. – respondeu Heitor, no mesmo instante em que passava a mão sobre a bela face de Anisha.

- Anda logo. O chiclete não vai esperar por ti para fugir.

- To indo. To indo.

Ao desligar o telefone, Heitor vê que Anisha continua grudada ao aparelho. O teor da conversa era óbvio: na certa era da DP.

- Sim Petrucci. Sei que é uma falha grave. Não vai mais acontecer. Estou a caminho.

Anisha desliga o telefone e se volta para Heitor:

- Te ligaram da delegacia também?

- Sim, o Mathias.

- Acho que é melhor nós irmos.

- Mas eu quero ficar.

- Vamos lá. Teremos outras oportunidades.

- Mesmo?

- Claro. Adorei a noite. Há tempos que não me sentia assim.

- Eu nem preciso comentar o quanto me faz bem. Ela bem que poderia terminar ainda melhor. O que acha de passar lá em casa antes?

- Para Heitor. Deixa de bobagem. Precisamos ir.

- Tá bom. Tá bom.

Heitor paga a conta. Em seguida os dois se dirigem ao estacionamento. Embarcam no carro e partem para a delegacia.

- Acho que é melhor você me deixar em casa antes. – exclamou Heitor.

- Por? Já estamos bem atrasados.

- Sei lá. Talvez possa não ser uma boa ideia chegarmos juntos. O pessoal pode desconfiar.

- Desconfiar de?

- Você sabe. Nós dóis… – Heitor por um instante não sabia o que dizer. Não conseguia traduzir em palavras o que ecooava em sua mente.

- Tudo bem. Te deixo em casa antes. – ao proferir as palavras, Anisha dá um belo sorriso.

Após deixar Heitor em sua residência, Anisha sai em disparada para a delegacia. Ao chegar, dá de cara com Petrucci.

- Faz meia hora que eu te liguei. Tu não estava chegando?

- Não enche. Tem alguma novidade?

- Recebemos uma ligação anônima.

- E o que disseram?

- Parece que o Chiclete está no Morro da Cruzeiro.

- Já avisaram o Heitor?

- Ainda não.

- Está esperando o que? Tu sabe que ele quer pegar esse cara.

- Se quisesse mesmo estaria aqui.

- Cara, como tu é idiota. Liga pra ele de uma vez.

- Vamos ver com o Mathias.

- Caralho! Ligo eu então.

Anisha pega o celular e liga para Heitor.

- O Chiclete tá no Morro da Cruzeiro.

- O que?

- Recebemos uma denúncia. Tem uma equipe indo pra lá.

- Eu também estou indo.

- Não, espera…

Anisha nem consegue terminar a frase. A esta altura, Heitor já está embarcando no seu carro e se dirigindo para a favela.

O jornalismo e a internet

A primeira década do século XXI está sendo marcada por uma revolução tecnológica sem precedentes. A consolidação da Web 2.0 e o surgimento de novas tecnologias nos levam a pensar na comunicação de uma forma inimaginável antes. A interatividade se dá de tal forma que, uma pessoa no Brasil consegue se comunicar com outra no Japão em questão de segundos.

Pensando nesta multiplicidade que as novas tecnologias nos oferece, a professora de jornalismo online 2 da Unisinos, Cássia Zanon, propôs aos seus alunos um debate sobre a internet. Para tal, dividiu a turma em quatro grupos. As apresentações foram realizadas durante a aula desta quinta-feira (17), baseadas nos seguintes textos: Antagonismo entre “mídia clássica” e meio digital, O mito do texto curto, Uma breve introdução ao conteúdo na Internet e Cinco pontos sobre redes sociais na Internet.

O grupo 1 entende que o texto curto, com a utilização de hiperlinks, é a forma mais indicada para jornalismo na web. O aprofundamento do conteúdo ocorre de acordo com o interesse do internauta. Mas lembram que o texto para internet não é só uma transposição do texto impresso, como fazem muitos veículos ou jornais que possuem site. Três pontos são fundamentas: arquitetura da informação, usualidade e acessibilidade. É preciso ver sem se perder. A fusão destes quesitos, aliados a bons gráficos, vídeos, um visual limpo e com cores leves é a chave para se dar bem na web. Claro, sem esquecer o conteúdo. Os sites do Estadão e do Elpaís foram utilizados como os que mais se aproximam desta fórmula.

O grupo 2, do qual fiz parte, procurou analisar a questão do conteúdo e sua organização. Teria o texto mais denso morrido com as novas tecnologias? Será que um Schopenhauer não teria mais espaço? Uma das possibilidades que a internet traz é a segmentação. É cada vez mais comum as pessoas procurarem o que é do seu interesse. Então, é pertinente afirmar, que o internauta tem à sua disposição as mais variadas formas de conteúdo, ficando a seu critério escolher se quer ler um texto curto ou longo.

O grupo utilizou o hot site do ClicRBS sobre a crise do Piratini para explicar sobre a arquitetura da informação. As qualidades de criação, no que diz respeito aos infográficos, facilidade de acesso, histórico da crise e pessoas acusadas foi um dos pontos altos citados. Entretanto, no quesito acesso ao conteúdo, ficou devendo. É bem difícil encontrar o hot site. Sem falar que o que interessa ao internauta não está organizado de forma satisfatória. Como se faz para acessar as notícias relacionadas à crise? Elas não estão organizadas de forma a facilitar a visitação.

Por entender que é preciso pensar de uma forma mais completa a reportagem em internet, o grupo 3 crê que o G1 reúne os melhores atributos de organização de conteúdo e utilização dos recursos disponíveis. Mas não se esqueceu de citar o ClicRBS , que possibilita aos amantes de futebol acompanhar os treinos de seu time favorito pelo CoveritLive, trocando ideias com o repórter, num conhecimento compartilhado.

Por fim, o grupo 4, que defendeu o texto não linear como forma mais indicada para a web. O Guardian foi o exemplo buscado para definir jornalismo online, com textos de qualidade, imagens, links, anúncios e infográficos. Para eles, o site vai chamar a atenção pelo jeito que está desenhado. Contudo, sem conteúdo não sobrevive. Além disso, um site precisa, a cada instante, dar novas possibilidades ao internauta. Uma tendência é a inserção de ferramentas de interação com outros sites de redes sociais como twitter, facebook, blog e flickr.

Retomando o mito do texto curto, o grupo diz que há bons exemplos de texto longo na internet. O blog A Nova Corja, que fechou devido a processos, é um destes. Escrito para um público dirigido, utilizava basicamente texto. E nem por isso deixava de ser acessado.

Discussões à parte, os quatro grupos concordaram que estamos vivendo um processo de mudança no que entendemos por jornalismo e difusão do conteúdo e conhecimento. A internet possibilitou ao público se manifestar como nunca, expressando sua opinião, através dos espaços concedidos neste campo ainda pouco estudado, que é a internet. McLuhan previu esta desterritorialização do conhecimento muito antes de a internet tomar conta do mundo. Para ele, a relação entre os homens passaria a ocorrer de outra forma, a qual definiu como aldeia global. E hoje, qual é o limite da interação na web? E no final, onde iremos parar?

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