O que era uma tendência tornou-se realidade na tarde desta terça. Celso Roth não continua no Grêmio em 2012. Em entrevista coletiva realizada depois do treino no Olímpico, o treinador confirmou que o Gre-Nal será seu último jogo no comando do time gremista. Antes mesmo de abrir espaço às perguntas, Roth anunciou a sua saída:
— Vou cumprir meu contrato com o Grêmio, que vai até 31 de dezembro de 2011. E quero dizer também que não continuarei ano que vem. Foi uma decisão tomada em conjunto com a diretoria do Grêmio. Meu procurador teve uma reunião ontem e desde antes estava definida minha posição. Quero agradecer à torcida, à direção e ao grupo de jogadores. Essa é uma decisão minha, profissional, e estou colocando publicamente — disse.
Em sua quarta passagem como treinador do Grêmio – as outras ocorreram entre 1998 e 1999; em 2000; e entre 2008 e 2009 –, Celso Roth se despede após apenas quatro meses. Contratado em 4 de agosto de 2011 para afastar o risco de rebaixamento tricolor, o treinador oscilou bons e maus resultados. Em 24 partidas foram 10 vitórias, quatro empates e 10 derrotas.
Roth nunca foi unanimidade entre os gremistas. Não havia consenso na diretoria, muito menos na torcida. Era notória a divisão entre Pelaipe e Odone. Há dias era especulada a sua saída. Hábil estrategista, o treinador conquistou reconhecimento nacional formando equipes sólidas defensivamente. Foi assim com o Inter campeão da Libertadores em 2010. No Grêmio, curiosamente, o treinador que tem fama de retranqueiro e montou um esquema 4-2-3-1, não conseguiu repetir o feito. O Grêmio é um saara no ataque e um oceano na defesa. Com zagueiros lentos o time sofreu muitos gols e, com isso, deixou escapar resultados importantes.
Sem respaldo da direção e muito menos apoio da torcida, Celso Roth não esperou o desfecho do Gre-Nal 389 para definir seu futuro. Para ele, 2012 começou hoje, com o anúncio da despedida.
Caio Júnior (recentemente demitido do Botafogo), Nelsinho Batista (está no Japão e quer voltar para o Brasil) e Vanderlei Luxemburgo (no Flamengo) são os principais nomes especulados. Mas cá pra nós dos três acima citados, ainda fico com Roth.
Em 1997, o Inter perdeu um jogo para o Veranópolis pelo Gauchão e era treinado pelo mesmo Celso Roth. A pressão pela saída do técnico era praticamente insustentável quando o então presidente Pedro Paulo Záchia pronunciou a frase que entrou para o folclore do futebol gaúcho: “O Inter muda não mudando”. Passado algum tempo, o Inter não só venceu o certame daquele ano, como aplicou a maior goleada em Gre-Nal dos últimos anos: 5 a 2. Futebol não é uma ciência exata. Porém, precisa de tempo para colher resultados do trabalho.

