A primeira década do século XXI está sendo marcada por uma revolução tecnológica sem precedentes. A consolidação da Web 2.0 e o surgimento de novas tecnologias nos levam a pensar na comunicação de uma forma inimaginável antes. A interatividade se dá de tal forma que, uma pessoa no Brasil consegue se comunicar com outra no Japão em questão de segundos.
Pensando nesta multiplicidade que as novas tecnologias nos oferece, a professora de jornalismo online 2 da Unisinos, Cássia Zanon, propôs aos seus alunos um debate sobre a internet. Para tal, dividiu a turma em quatro grupos. As apresentações foram realizadas durante a aula desta quinta-feira (17), baseadas nos seguintes textos: Antagonismo entre “mídia clássica” e meio digital, O mito do texto curto, Uma breve introdução ao conteúdo na Internet e Cinco pontos sobre redes sociais na Internet.
O grupo 1 entende que o texto curto, com a utilização de hiperlinks, é a forma mais indicada para jornalismo na web. O aprofundamento do conteúdo ocorre de acordo com o interesse do internauta. Mas lembram que o texto para internet não é só uma transposição do texto impresso, como fazem muitos veículos ou jornais que possuem site. Três pontos são fundamentas: arquitetura da informação, usualidade e acessibilidade. É preciso ver sem se perder. A fusão destes quesitos, aliados a bons gráficos, vídeos, um visual limpo e com cores leves é a chave para se dar bem na web. Claro, sem esquecer o conteúdo. Os sites do Estadão e do Elpaís foram utilizados como os que mais se aproximam desta fórmula.
O grupo 2, do qual fiz parte, procurou analisar a questão do conteúdo e sua organização. Teria o texto mais denso morrido com as novas tecnologias? Será que um Schopenhauer não teria mais espaço? Uma das possibilidades que a internet traz é a segmentação. É cada vez mais comum as pessoas procurarem o que é do seu interesse. Então, é pertinente afirmar, que o internauta tem à sua disposição as mais variadas formas de conteúdo, ficando a seu critério escolher se quer ler um texto curto ou longo.
O grupo utilizou o hot site do ClicRBS sobre a crise do Piratini para explicar sobre a arquitetura da informação. As qualidades de criação, no que diz respeito aos infográficos, facilidade de acesso, histórico da crise e pessoas acusadas foi um dos pontos altos citados. Entretanto, no quesito acesso ao conteúdo, ficou devendo. É bem difícil encontrar o hot site. Sem falar que o que interessa ao internauta não está organizado de forma satisfatória. Como se faz para acessar as notícias relacionadas à crise? Elas não estão organizadas de forma a facilitar a visitação.
Por entender que é preciso pensar de uma forma mais completa a reportagem em internet, o grupo 3 crê que o G1 reúne os melhores atributos de organização de conteúdo e utilização dos recursos disponíveis. Mas não se esqueceu de citar o ClicRBS , que possibilita aos amantes de futebol acompanhar os treinos de seu time favorito pelo CoveritLive, trocando ideias com o repórter, num conhecimento compartilhado.
Por fim, o grupo 4, que defendeu o texto não linear como forma mais indicada para a web. O Guardian foi o exemplo buscado para definir jornalismo online, com textos de qualidade, imagens, links, anúncios e infográficos. Para eles, o site vai chamar a atenção pelo jeito que está desenhado. Contudo, sem conteúdo não sobrevive. Além disso, um site precisa, a cada instante, dar novas possibilidades ao internauta. Uma tendência é a inserção de ferramentas de interação com outros sites de redes sociais como twitter, facebook, blog e flickr.
Retomando o mito do texto curto, o grupo diz que há bons exemplos de texto longo na internet. O blog A Nova Corja, que fechou devido a processos, é um destes. Escrito para um público dirigido, utilizava basicamente texto. E nem por isso deixava de ser acessado.
Discussões à parte, os quatro grupos concordaram que estamos vivendo um processo de mudança no que entendemos por jornalismo e difusão do conteúdo e conhecimento. A internet possibilitou ao público se manifestar como nunca, expressando sua opinião, através dos espaços concedidos neste campo ainda pouco estudado, que é a internet. McLuhan previu esta desterritorialização do conhecimento muito antes de a internet tomar conta do mundo. Para ele, a relação entre os homens passaria a ocorrer de outra forma, a qual definiu como aldeia global. E hoje, qual é o limite da interação na web? E no final, onde iremos parar?