Textos categorizados 'esporte'

Inter: Estreia promissora

O Internacional iniciou com vitória a busca pelo tetracampeonato do Campeonato Brasileiro. A equipe do técnico Dorival Júnior venceu o Coritiba por 2 a 0, com gols de Leandro Damião e Dagoberto. Mais do que vencer, o Inter convenceu.

O placar começou a ser construído aos oito minutos do primeiro tempo. Damião recuperou uma bola prensada, deu uma meia-lua no zagueiro do Coritiba e chutou forte, no alto, sem chance para o goleiro Vanderlei: 1 a 0.

Comandados pelo trio Dátolo, Dagoberto e Damião, o colorado se movimentou muito, armou, atacou, defendeu. Tanto que, aos 37, após troca de passes do trio, Dagoberto ampliou para o Inter com outro belo gol: 2 a 0.

Na segunda etapa o Internacional tratou de administrar a partida, apostando nos contra-ataques. Aos 39, João Paulo quase fez um gol olímpico. Um minuto depois, Damião acertou a trave. E foi isso.

Mais que o resultado, a partida marcou a volta do espírito guerreiro de Leandro Damião. Não tinha bola perdida. O atacante brigou muito a cada lance, lembrando o centroavante que encantou o Brasil no ano passado.

Foi um estreia promissora do Internacional. O primeiro passo para quem almeja um título que não conquista desde 1979.

|ESCALAÇÕES|

INTER: Muriel; Nei, Rodrigo Moledo, Índio e Fabrício; Elton, Guiñazu, Oscar e Dátolo (João Paulo); Dagoberto (Marcos Aurélio) e Damião. Técnico: Dorival Júnior.

CORITIBA: Vanderlei; Gil, Démerson, Emerson e Lucas Mendes; William (Sérgio Manuel), Júnior Urso, Renan Oliveira (Marcel) e Lincoln; Everton Costa e Anderson Aquino (Everton Ribeiro). Técnico: Marcelo Oliveira.

Arbitragem: Pablo dos Santos Alves (Aspirante à Fifa/ES), auxiliado por Fabiano Ramires (Aspirante à Fifa/ES) e José Maciel Linhares (ES).

Gols: Leandro Damião (Inter, 8min/1ºT); Dagoberto (Inter, 37min, 1ºT)

Cartões amarelos: Dátolo, Damião e Dagoberto (Inter); Lucas Mendes e Lincoln (Coritiba).

Sobre o saber e o futebol

Abalo de 6,3 graus na escala Richter atingiu Christchurch

No início do século XX os gaúchos pouco ou nada sabiam sobre o que ocorria do outro lado do continente. Mal conheciam a história imediata das cercanias. Naquela época se informar não era uma tarefa fácil. O que se tinha notícias chegava através do jornal com certo tempo de atraso.

O homem do século XXI sabe de tudo e a todo instante. Mas o que está acontecendo com o mundo? Seria o prenúncio do fim dos tempos? Ou será que a cibercultura revolucionou o mundo de tal forma que agora nosso saber aumentou? O quanto deixamos de conhecer antes destes adventos tecnológicos?

A cada dia recebemos mais e mais notícias sobre desastres ambientais pelo mundo todo. Mês passado foi no Rio de Janeiro onde, as enxurradas mudaram a topografia dos morros cariocas, causando a morte de mais de mil pessoas. Nesta semana o Rio Grande do Sul padeceu do mesmo mal climático, onde as chuvas causaram graves problemas e a morte de um estudante de Direito no sítio da Família Lima.

Hoje foi a vez da cidade de Christchurch ser atingida não por uma chuvarada, mas por um terremoto de 6,3 graus na escala Richter. A cidade, que possui 340 mil habitantes, é a segunda maior da na Nova Zelândia. A contagem de mortos é de 75 e mais de 300 desaparecidos até o momento. A catástrofe provocou a queda de vários prédios. Incêndios deixaram diversas pessoas presas em imóveis pela cidade. Agora, os moradores de Christchurch precisam encontrar forças na tragédia para recomeçar.

Recomeçar! Foi isso o que fez o Sport Club Rio Grande em 1934 quando o fogo destruiu o pavilhão de madeira do Estádio das Oliveiras. O primeiro clube do Brasil, fundado pelo alemão Johannes Christian Moritz Minnemann em 1900, encontrou na tragédia forças para manter seu sonho futebolístico. Dois anos depois, em 1936 conquistaria o Campeonato Gaúcho. O Rio Grande ainda seria vice-campeão gaúcho em 1941 e 1951, deixando eufórica sua torcida.

Mas nem tudo são flores na vida de um clube centenário. Com mais de um século de vida, o Rio Grande quer reencontrar seu espaço no esporte que ajudou a difundir no Brasil: o futebol.

* publicado no segundonagaucha.com

Um lugar para recomeçar


*Este foi o meu primeiro texto
publicado no SegundonaGaucha.com.

A partir desta semana passo a ocupar este espaço para discorrer um pouco sobre esse esporte apaixonante que é o futebol e outras coisas mais. As aventuras e desventuras dos 29 clubes que buscam voltar à elite do Gauchão. Espero que gostem!

Para começar, vou falar do mito grego que percorreu os séculos e chegou até nós como um símbolo de ressurreição e imortalidade. De um pássaro com grande beleza. Uma ave bela e cintilante que, segundo a lenda, podia viver 500 anos. A fênix, quando estava prestes a morrer, construía uma pira funerária, entrava em autocombustão e, passado algum tempo, renascia das próprias cinzas.

A fênix tinha penas brilhantes, douradas e vermelho-arroxeadas. Era pouco maior que uma águia. Possuía uma força peculiar, podendo carregar um peso infinitamente superior ao seu. Este pássaro lendário podia se transformar numa ave de fogo.

Um dos capítulos mais tristes da história do futebol gaúcho foi escrito no dia 15 de janeiro de 2009. Nesta data, o clube que possui uma das torcidas mais apaixonadas do RS padeceu. O Brasil de Pelotas se preparava para a disputa do Campeonato Gaúcho daquele ano. Tinha feito um jogo-treino contra o Santa Cruz, no Vale do Sol, à tarde. No retorno a Pelotas, o ônibus que transportava a delegação caiu em um barranco de cerca de 40 metros, no quilômetro 150 da BR-392, próximo ao município de Canguçu.

O trágico acidente resultou na morte de três pessoas: o preparador de goleiros Giovani Guimarães, o zagueiro Régis Gouveia e o ídolo uruguaio Cláudio Milar. Além disso, quase todos os jogadores e membros da comissão técnica que estavam no ônibus ficaram feridos.

A torcida marcada pela raça e pelo amor ao seu clube estava desesperada. A comoção tomou conta de Pelotas e do Rio Grande. Os dirigentes do Brasil pensaram em fechar as portas e não disputar o Gauchão 2009. Mas foi no momento da adversidade que o clube precisou mostrar a sua grandeza e, assim como a fênix, renascer das cinzas da tragédia. Resolveu disputar a competição, que começaria no dia 22 do mesmo janeiro, para honrar a sua torcida e a memória de seus mártires.

Entretanto, o Xavante ainda agonizava. Muitos eram os jogadores sem condições psicológicas de jogar. A dor pela perda dos amigos e por aqueles que permaneciam no hospital teimavam vir à lembrança. Sem estrutura e esfacelado, o Brasil de Pelotas não resistiu. Precisou disputar oito partidas num intervalo de 15 dias. A única vitória ocorreu contra o Novo Hamburgo, na última rodada, pelo placar de 1 a 0. Um gol que não conseguiu manter o Xavante na elite do futebol gaúcho. E ele caiu, para o limbo da segunda divisão.

Agora, pouco mais de dois anos depois do acidente que transformou para sempre a sua história, o Brasil de Pelotas quer incendiar a sua torcida apaixonada e se transformar no pássaro de fogo. E assim como a fênix, renascer no ano de seu Centenário e voar rumo à primeira divisão.

Vitória da esperança: Escola Aberta é opção para tirar jovens da rua

Quem procura a garotada da Brás sábado à tarde já sabe onde encontrar: Escola João Goulart, no Escola Aberta. Funcionando das 13h30min às 17h30min, o programa atende cerca de 700 jovens por mês. Eles participam de atividades de futebol de areia, futsal, pebolim, dança e hip-hop.

Um destes garotos é Mateus da Silva Leite, 11 anos, o Tête. Aluno da 5ª série, ele não perde um dia. Sua matéria predileta é Educação Física. Quando crescer quer ser jogador do Inter. Engana-se quem imagina que o ídolo de Mateus é D’Alessandro, Kleber ou Guiñazú. Seu ídolo é o pai, Vilson. “Meu pai joga muito”.

Mateus é zagueiro. Mas diz que não fica só defendendo. Gosta de se aventurar de vez em quando ao ataque e, inclusive, marcar gols. Os amigos, que estavam sentados ao lado esperando a vez, soltaram uma gargalhada como que duvidando do faro de gol do garoto.

O time da molecada era o próximo a entrar na pequena quadra de esportes. Enquanto esperavam, vangloriavam-se das vitórias e grandes jogadas nos campinhos da Brás. Quando o jogo que transcorria acabou, os maiores tomaram conta e não deixaram a garotada jogar. Valeram-se do tamanho para se impor. Houve alguns murmúrios, discussões. Contra força não tinha argumento. Os garotos teriam que ganhar na bola. E lá foram eles para mais um confronto. Era David contra Golias, Barcelona contra Inter.

No campinho das peladas, o jogo não era marcado pelo cronômetro do árbitro e sim pelo número de gols. Três para ser exato. A molecada saiu na frente e depois tomou a virada. Quando tudo caminhava para uma derrota massacrante, conseguiram reverter o placar: 3 a 2. O gol que Mateus prometera não saiu neste jogo. Mas foi o da vitória da segunda partida. Era a molecada provando que é boa de bola.

Enquanto assistia à partida, conversava com o pai de Mateus, que contava do trabalho no projeto e da vida na Brás. Nascido na Argentina, Vilson Ribeiro Leite, aos 46 anos, vive desde 1989 com a família no bairro. Passou a participar para acompanhar o filho. Com o tempo, foi gostando e hoje é coordenador comunitário. “Se estes garotos não viessem para cá, estariam na rua. O programa é importante para estes jovens”.

Quando estava indo embora, Vilson não pensou duas vezes e afirmou com um sorriso nos lábios: “Lembra esse nome: Tête. Você ainda vai ouvir falar no meu filho.”


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