As primeiras gotas de chuva já caiam do céu quando avistei a casa laranja. Com muito cuidado destravei a tranca da cerca, desviei dos cachorros Alfredo e Preto e me dirigi à porta. Ela já me aguardava. Vestia uma blusa lilás e calça jeans azul. O cabelo loiro escuro contrastava com seus olhos castanhos. Com 24 anos, Jenifer Emanuele Duarte Damiani, é formada em pedagogia, mas trabalha como assessora parlamentar na Câmara de Vereadores de Imbé.
Enquanto ela preparava o chimarrão, me dirigi ao quarto lilás. Ao centro, uma cama de casal com quatro travesseiros devidamente ordenados e lençóis da cor das paredes. Perto da janela um armário branco, com inúmeras fotos coladas na porta. São imagens em festas, com amigos e família. Ao lado da cama, um porta retrato especial: a foto de Cláudia e Moacir, os pais de Jenifer. Foi tirada pela jovem há muitos anos, em Santa Catarina, durante as férias de verão. Do outro lado, uma estante com maquiagens, escovas de cabelo, secador, chapinha e dois frascos dos perfumes Giorgio Armani e Hugo Boss.
Jenifer é uma pessoa extrovertida, falante, teimosa. Passa o dia inteiro na rua, dividindo-se entre o stress do trabalho e a companhia dos amigos, num eterno ciclo de convívio social. Entretanto, quando está em casa ela gosta de se isolar em seu quarto para refletir. Esta fuga ajuda a ficar bem consigo mesma. O isolamento ensina a lidar com as pessoas. Fica ouvindo música e lendo livros sobre comportamento e política. Seu livro preferido é ‘O Filho Adotivo’, de Zíbia Gasparetto. Atualmente está devorando a biografia de Che Guevara. E é ali, no seu mundinho particular, que Jenifer descreve como é ser pedagoda e trabalhar com política.
- No meu trabalho lido com pessoas com problemas sociais o tempo todo. Pedidos da comunidade referente a problemas do município e até pessoais. Sendo assim, ter o curso de pedagogia me ajuda a entender melhor as pessoas, já que aprendo a lidar com crianças e adolescentes e passar aprendizagem.
No futuro, Jenifer pensa em deixar o quarto lilás e se aventurar pelo mundo. Quer viajar, conhecer outras culturas. Ainda não sabe por qual lugar vai trocar seu mundinho particular. Mas vê Paris e a possibilidade de conviver com os franceses com bons olhos. Não quer ver a Torre Eiffel ou visitar o Museu do Louvre. Para ela, o que importa é conhecer pessoas.