Já fazia alguns anos que eu não sentava em frente à televisão na tarde de domingo para assistir a uma corrida de Fórmula 1. Creio que eu faça parte da geração que cresceu acompanhando as vitórias de Ayrton Senna e se frustrou com sua morte em 1993. O povo brasileiro perdeu a vontade de assistir a um grande prêmio. Esquecemos que ainda tínhamos um brasileiro competindo. Ele, Rubens Barrichello.
Rubinho carregou nas costas a responsabilidade de substituir Senna. A eterna comparação acabou rendendo o carinhoso apelido de Rubinho Pé de Chinelo, pois nunca ganhava nada. Faltava carro, é verdade. E na única vez em que teve um competitivo, foi prejudicado pelo jogo de equipe, em benefício do Schumacher. Mas e daí? O brasileiro não quer nem saber disso. Queremos um novo Senna. Assim como procuramos a todo instante um novo Pelé.
Ah! Mas alguém pode falar: E o Felipe Massa? Ele é um grande piloto. Foi vice campeão. Correu com o Schumacher. Ele não é digno do nosso respeito? Concordo. Mas é como no futebol: ao longo da história existiram milhares de craques. Mas nenhum deles é igual ao Pelé. E nunca haverá outro. Era uma outra época onde a magia ultrapassava as quatro linhas. O futebol, assim como a Fórmula 1 perdeu um pouco deste encanto.
E Rubinho fez parte desta época. Mas eis que aos 37 anos, ressurgiu para a Fórmula 1. Praticamente aposentado no início do ano, o piloto encarou o desafio de competir pela estreante Brawn e fez bonito. Teve um péssimo começo de temporada. Seu companheiro de equipe, Jenson Button venceu as seis primeiras corridas e disparou. Mas Rubinho não se abateu, foi conquistando pontos e chegou ao GP do Brasil com boas chances de ser campeão.
Rubinho nunca venceu em Interlagos. Em 17 anos disputando a prova, terminou apenas cinco vezes. Além de superar Button, o brasileiro precisava quebrar seu próprio tabú. A pole conquistada no sábado era o indício de que desta vez seria diferente. Estava tudo perfeito. Rubinho em primeiro e Button em 14º. A esperança dos brasileiros ressurge.
Mas a corrida começa e com ela a indigesta tarefa de se manter na frente. Rubinho faz um belo início de prova. Mantém-se na ponta e abre certa vantagem para Webber. É na primeira parada nos boxes que a corrida começa a mudar. A esperança vira desespero. O novo jogo de pneus não tem o rendimento esperado. Rubinho perde velocidade e vê seu sonho de vencer em Interlagos ir por água abaixo. Rubinho antecipa a segunda parada, tentando recuperar o tempo perdido. Para piorar as coisas o pneu fura e o brasileiro é obrigado a fazer uma terceira parada. É o fim do sonho. Rubinho termina em oitavo e Jason Button é campeão mundial de Fórmula 1.
Passada a frustração inicial, fica a pergunta? O que diferencia o grande do mediano? Rubinho é um ótimo corredor. Fez tudo o que dependia dele. Fez a pole. Largou na ponta e… perdeu. Faltou competência? Claro que não. Faltou o que ele nunca teve ao longo da carreira: sorte.