Textos categorizados 'Segundona Gaúcha'

Sobre o saber e o futebol

Abalo de 6,3 graus na escala Richter atingiu Christchurch

No início do século XX os gaúchos pouco ou nada sabiam sobre o que ocorria do outro lado do continente. Mal conheciam a história imediata das cercanias. Naquela época se informar não era uma tarefa fácil. O que se tinha notícias chegava através do jornal com certo tempo de atraso.

O homem do século XXI sabe de tudo e a todo instante. Mas o que está acontecendo com o mundo? Seria o prenúncio do fim dos tempos? Ou será que a cibercultura revolucionou o mundo de tal forma que agora nosso saber aumentou? O quanto deixamos de conhecer antes destes adventos tecnológicos?

A cada dia recebemos mais e mais notícias sobre desastres ambientais pelo mundo todo. Mês passado foi no Rio de Janeiro onde, as enxurradas mudaram a topografia dos morros cariocas, causando a morte de mais de mil pessoas. Nesta semana o Rio Grande do Sul padeceu do mesmo mal climático, onde as chuvas causaram graves problemas e a morte de um estudante de Direito no sítio da Família Lima.

Hoje foi a vez da cidade de Christchurch ser atingida não por uma chuvarada, mas por um terremoto de 6,3 graus na escala Richter. A cidade, que possui 340 mil habitantes, é a segunda maior da na Nova Zelândia. A contagem de mortos é de 75 e mais de 300 desaparecidos até o momento. A catástrofe provocou a queda de vários prédios. Incêndios deixaram diversas pessoas presas em imóveis pela cidade. Agora, os moradores de Christchurch precisam encontrar forças na tragédia para recomeçar.

Recomeçar! Foi isso o que fez o Sport Club Rio Grande em 1934 quando o fogo destruiu o pavilhão de madeira do Estádio das Oliveiras. O primeiro clube do Brasil, fundado pelo alemão Johannes Christian Moritz Minnemann em 1900, encontrou na tragédia forças para manter seu sonho futebolístico. Dois anos depois, em 1936 conquistaria o Campeonato Gaúcho. O Rio Grande ainda seria vice-campeão gaúcho em 1941 e 1951, deixando eufórica sua torcida.

Mas nem tudo são flores na vida de um clube centenário. Com mais de um século de vida, o Rio Grande quer reencontrar seu espaço no esporte que ajudou a difundir no Brasil: o futebol.

* publicado no segundonagaucha.com

Um lugar para recomeçar


*Este foi o meu primeiro texto
publicado no SegundonaGaucha.com.

A partir desta semana passo a ocupar este espaço para discorrer um pouco sobre esse esporte apaixonante que é o futebol e outras coisas mais. As aventuras e desventuras dos 29 clubes que buscam voltar à elite do Gauchão. Espero que gostem!

Para começar, vou falar do mito grego que percorreu os séculos e chegou até nós como um símbolo de ressurreição e imortalidade. De um pássaro com grande beleza. Uma ave bela e cintilante que, segundo a lenda, podia viver 500 anos. A fênix, quando estava prestes a morrer, construía uma pira funerária, entrava em autocombustão e, passado algum tempo, renascia das próprias cinzas.

A fênix tinha penas brilhantes, douradas e vermelho-arroxeadas. Era pouco maior que uma águia. Possuía uma força peculiar, podendo carregar um peso infinitamente superior ao seu. Este pássaro lendário podia se transformar numa ave de fogo.

Um dos capítulos mais tristes da história do futebol gaúcho foi escrito no dia 15 de janeiro de 2009. Nesta data, o clube que possui uma das torcidas mais apaixonadas do RS padeceu. O Brasil de Pelotas se preparava para a disputa do Campeonato Gaúcho daquele ano. Tinha feito um jogo-treino contra o Santa Cruz, no Vale do Sol, à tarde. No retorno a Pelotas, o ônibus que transportava a delegação caiu em um barranco de cerca de 40 metros, no quilômetro 150 da BR-392, próximo ao município de Canguçu.

O trágico acidente resultou na morte de três pessoas: o preparador de goleiros Giovani Guimarães, o zagueiro Régis Gouveia e o ídolo uruguaio Cláudio Milar. Além disso, quase todos os jogadores e membros da comissão técnica que estavam no ônibus ficaram feridos.

A torcida marcada pela raça e pelo amor ao seu clube estava desesperada. A comoção tomou conta de Pelotas e do Rio Grande. Os dirigentes do Brasil pensaram em fechar as portas e não disputar o Gauchão 2009. Mas foi no momento da adversidade que o clube precisou mostrar a sua grandeza e, assim como a fênix, renascer das cinzas da tragédia. Resolveu disputar a competição, que começaria no dia 22 do mesmo janeiro, para honrar a sua torcida e a memória de seus mártires.

Entretanto, o Xavante ainda agonizava. Muitos eram os jogadores sem condições psicológicas de jogar. A dor pela perda dos amigos e por aqueles que permaneciam no hospital teimavam vir à lembrança. Sem estrutura e esfacelado, o Brasil de Pelotas não resistiu. Precisou disputar oito partidas num intervalo de 15 dias. A única vitória ocorreu contra o Novo Hamburgo, na última rodada, pelo placar de 1 a 0. Um gol que não conseguiu manter o Xavante na elite do futebol gaúcho. E ele caiu, para o limbo da segunda divisão.

Agora, pouco mais de dois anos depois do acidente que transformou para sempre a sua história, o Brasil de Pelotas quer incendiar a sua torcida apaixonada e se transformar no pássaro de fogo. E assim como a fênix, renascer no ano de seu Centenário e voar rumo à primeira divisão.


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