O jornalismo como vemos hoje teve o pontapé de partida com a invenção dos tipos móveis por Gutenberg, em 1455. De lá pra cá, a fixação do conhecimento evoluiu assustadoramente. Primeiro foram os folhetins, depois os jornais de poste. Posteriormente os jornais de grande circulação. A evolução tecnológica trouxe o advento do rádio, muito bem compreendido pelos nazistas. Hitler foi o precursor no uso da comunicação de massa. Fez do rádio seu meio de propagação de ideias. A televisão veio na sequência para ampliar o leque de possibilidades.
É no final da década de 1980 que a mídia começa a ultrapassar barreiras. Com o surgimento de novas tecnologias digitais, uma notícia que levava dias, semanas ou meses para percorrer o mundo, começa a ser repassada em menos tempo. A internet vem de encontro com esta revolução. Nos últimos 20 anos, o jornalismo passou a ocupar um espaço nunca antes imaginado. Está em todo o lugar e acessível a todas as pessoas. A desterritorialização do conhecimento é tal que, hoje, qualquer pessoa pode produzir conteúdo e colocar na web.
No meio deste emaranhado de informações, questões éticas e legais são impreteríveis. A legislação tem um papel fundamental para o desenvolvimento do jornalismo. É através dela que o profissional se guia para elaborar suas pautas e satisfazer os desejos das pessoas e da sociedade. O código de ética do jornalismo tem papel fundamental neste ponto. Nele estão as diretrizes que o jornalista deve seguir, como objetividade, clareza e liberdade de expressão. Nas suas páginas constam questões como buscar a informação de forma precisa e correta, pensar no interesse social e coletivo, suas obrigações sociais, combate às formas de corrupção, manifestações de opiniões diferentes. O jornalista deve sempre buscar a verdade.
Mas o que é verdade ou não em jornalismo? Antes, é preciso saber o que é ou não notícia. Em síntese, a notícia é o fato com maior capacidade de repercussão na sociedade. Mas é preciso que o jornalista tenha cuidado ao selecionar o que deve ou não ser publicado, procurando evitar o sensacionalismo. A história brasileira é cheia de casos onde os jornalistas, mais preocupados em “dar o furo” do que checar as informações, causou verdadeiras convulsões na vida das pessoas envolvidas.
Neste ponto, a busca incessante pela velocidade que o jornalismo proporciona cada vez mais, faz com que o jornalista não cumpra suas atribuições e deixe de checar as fontes e os dados como deveria. Tal descuido acaba gerando grandes transtornos, como divulgação de fatos que depois não se confirmam. Um exemplo é o caso da Escola de Base, em São Paulo, onde os professores foram julgados e condenados pela mídia, antes que o processo terminasse. A prova de sua inocência não evitou que fossem execrados pela mídia. Ou mesmo no episódio onde o deputado federal Ibsen Pinheiro (PMDB) foi acusado pela revista Veja de ter embolsado US$ 1 milhão de origem suspeita. Ibsen, que poderia ter sido presidente do país, acabou cassado por corrupção e levou anos para voltar à vida pública.
Um exemplo mais recente é o caso do sequestro da jovem Eloá Pimentel, que teve ampla cobertura da mídia. Qual o papel do jornalista no episódio? A ética profissional foi respeitada? Até que ponto o sensacionalismo causado pela imprensa influenciou no desenrolar das negociações? A interferência ocorreu de tal maneira que vimos pela televisão Lindemberg Alves negociar a soltura da ex-namorada no programa Mais Você, da rede Globo. A apresentadora Ana Maria Braga fazia o papel de negociador, quando, na verdade, era a polícia quem deveria realizar tal procedimento. A exacerbação do fato tornou o episódio um acontecimento nacional, com ampla cobertura da mídia.
É esse o papel do jornalista? O Código de Ética do jornalismo diz que é dever do profissional de comunicação não colocar em risco a integridade das fontes e dos profissionais com que trabalha. É isto o que a sociedade espera de seus jornalistas. Que eles satisfaçam suas necessidades de informação e que exerçam a profissão de forma ética e responsável, sempre atento ao que manda a legislação.